16 de março de 2009

O desespero de um pai

Creio que sabem da história do pai que se esqueceu do filho de 9 meses dentro do carro, o que derivou na morte deste. Isto passou-se em Aveiro, e, pelo que tenho ouvido, muitos são os pais que compreendem, e admitem mesmo que isto se poderia passar com eles.

Este pai, técnico informático, trabalha para uma das empresas do cunhado do meu chefe, por isso o que aqui conto deve estar mais próximo da verdade do que o que alguns jornais relatam.

Ao que parece, o senhor ia para uma reunião, e deixou a criança no carro, pensando que não ia demorar muito. O problema foi a reunião ter demorado mais do que o previsto, e o pai, envolto no trabalho, não se lembrou mais do filho, e sucedeu o que já todos sabemos.

É uma história impressionante, mas que a maioria das pessoas não condena o pai, pois "compreendem" o que originou este horror. O pai está acusado de homicídio negligente, mas qualquer que seja o resultado desta acusação, não tenho a menor dúvida que este pai carregará para sempre esta cruz, e será na verdade este o seu verdadeiro "castigo". 

Não sei o que se passa com a família, mas duvido que este casamento dure.

Creio que esta situação acabe por nos fazer reflectir sobre as prioridades da nossa vida, e ao que muitas vezes nos sujeitamos para viver. A intolerância tantas vezes demonstrada por parte dos senhores directores, como se a vida deles dependesse de certas coisas. Felizmente onde trabalho não é assim, mas sei de empregos e pessoas com estas características.

Enfim. que se aprenda algo com este exemplo.

3 comentários:

Irina Duarte Silva disse...

Tantas vezes nos obrigamos a correr e a obedecer às regras dos outros que menosprezamos o que é importante para nós. Foi um triste acontecimento mas que nos faz pensar.

Cindy disse...

Eu compreendo que se possa envolver demasiado no trabalho e esquecer o mundo "lá fora", agora o que eu não admito é que um pai ou uma mãe ou alguém, deixe uma criança dentro de um carro para ir a uma reunião ou a algum sítio que demore mais que 1 ou 2 minutos. Não admito. Por muito pouco que durasse a reunião, era o suficiente para NÃO o deixar dentro do carro.

Eu, para ir ao pão, estaciono o carro à porta da padaria de modo a ver o pequeno dentro do carro, se não o conseguir ver, levo-o comigo faça chuva ou faça sol.

Uma vez, estava a sair do supermercado e vi chegar uma senhora com uma menina a dormir no banco de trás. Pensei: "Estás tramada, ou esperas que a miúda acorde ou vais ter que a acordar e é birra na certa!". A verdade é que a senhora saiu do seu big jeep, fechou as portas, agarrou no carrinho de supermercado e lá foi ela nas calmas fazer as suas comprinhas! Fiquei para morrer! Só não fiz nada, porque estava com muita pressa e até hoje arrependo-me de não ter ido ter com a senhora dizer-lhe alguma coisa.

Para terminar e desculpa o meu testamento, a mim já me aconteceu ir a caminho do trabalho e passar o corte para o infantário e a chegar ao trabalho é que me lembrei que não tinha deixado o meu filho, tal a cabeça andava a 1000/hora... nunca podemos dizer nunca...

Não desejo a ninguém o que este homem está a passar.

Uma beijoka

gui.tattoo disse...

Não quero nem imaginar a angustia desse homem...
Eu pelo sim pelo não já ensinei o meu filho a abrir as portas do carro.
ok, ele já tem seis anos, mas nunca sabemos o dia de amanhã.
Não quero ridicularizar situação nenhuma, mas parece-me correcto que ela já o saiba fazer, assim como ter noção se deve ou não faze-lo em situações de possível "ataque".
Assim como os muçulmanos treinam os filhos para o que possa acontecer, também nós devemos educa-los a saber como se defender... mas à nossa maneira.
Lamento o sucedido e espero não ter de saber destas tristes notícias muitas vezes.
Desde já a minha solidariedade com a família que acredito não esteja a passar um momento feliz das suas vidas.