9 de fevereiro de 2009

And it burns, burns, burns...

...The ring of fire. Assim cantava Johnny Cash, mas referia-se à dor do amor. No entanto, achei esta música apropriada, infelizmente, para descrever a maior calamidade da história dos fogos na Austrália.
 
Foto ABC News

Para mim a pior morte seria morrer queimada viva. Para muitos é afogamento, mas para mim não. Talvez tenha sido queimada noutra vida, quem sabe, até porque tenho bastante resistência ao quente. E talvez por este motivo me impressione e angustie muito cada vez que há um incêndio. Principalmente em florestas.

O nosso país é regularmente fustigado com incêndios, tendo provavelmente o pior ano sido em 2002. Desde aí os pirómanos acalmaram-se. Aperceberam-se que já não havia muito mais para queimar.

Eu já testemunhei um incêndio, bem perto de minha casa, na aldeia da minha mãe e avó, e é, no mínimo assustador. Não conseguia evitar de pensar no jovem lobo escanzelado que tinha aparecido lá ao pé de minha casa naquela noite, e que não tinha voltado para comer os ossos das costeletas do nosso jantar.

Numa outra ocasião ajudei a apagar um fogo que começou graças à burrice e teimosia da minha avó, que insistiu em queimar o lixo (mais uma tradição que devia ser abolida, juntamente com a tourada). O resultado foi toda a aldeia a ajudar que o fogo não se espalhasse. Eu assustei-me principalmente quando julgava já ter apagado de um lado, e quando me virei para o outro, onde não havia fogo, estava a começar a ardar (e eu estava no limite do fogo!).

Este incêndio na Austrália, considerado o pior da história deste país, tem origem criminosa e 400 frentes de fogo (sim, leram bem. 400!!!). Já arde há 3 dias, sem dar sinais de desistir, morreram mais de 100 pessoas, muitas delas dentro dos carros quando tentavam fugir do fogo. As hospitalizadas têm queimaduras em cerca de 30% do corpo. O número de pessoas que perderam tudo não pára de crescer. Os animais selvagens que morreram até ao momento tamem são mais que muitos, sem contar com os hectáres de árvores ardidas, tão importantes para o equilíbrio do ecossistema - cada vez mais!

A desolação do Primeiro-Ministro Australiano ao falar para a televisão reflecte apenas o sentimento de uma nação, e confesso que ao o ver, e às outras imagens desta devastação, não pude evitar que os meus olhos se enchesem de lágrimas.

Na aldeia da minha mãe e avó, quando se sabia quem tinha lançado o fogo, era espancado pelos populares, mesmo que fossem adolescentes que sabem que nada lhes acontece se forem apanhados. A GNR sabia o que a população fazia, mas fechava os olhos - e bem!

Em tempos mais antigos, e em casos mais radicais, há registo chegavam mesmo a atá-los a uma árvore e lançavam-lhes fogo, tal como haviam feito às árvores.

Eu não sou pela morte nem pela violência, mas a quem criou este fogo, acho que merecia primeiro ser espancado e depois a medida mais radical. Mas isto é só a minha opinião.

3 comentários:

disse...

Que tragédia mundial! Será que os meus netos vão saber o que é uma árvore? Como é que eu lhes vou explicar?

gui.tattoo disse...

só de pensar, que alguém pode ter causado grande parte desse devastamento na Austrália... arrepia-me.
Não me imagino sequer a pensar como reagiria se tivesse que largar todo o esforço de uma vida de trabalho ...para depois ver as cinzas no lugar onde cresceu a vida.
Desisto, não se explica a ninguém que: "são coisas que acontecem" por acontecer, acontecem por maldade e sei lá mais porquê.
Por mais palavras de consolo que possamos dar a quem perdeu tudo nestes fogos, nada trará de volta o que sucumbiu em cinzas.
Paz aos queimados e forca aos incendiários, é o que eu desejos aos intervenientes desta história trágica, mas infelizmente real.

Tretoso Mor disse...

Chocolate com Pimenta,

É de facto dos crimes mais graves. Este e tudo o que envolva crinças, dá-me voltas cá dentro.

Pirómanos e pedófilos ou gente que agride e maltrata crianças, deviam ser punidos severamente, sem contemplações.

tretices grandes para ti.