3 de novembro de 2009

Uma noite no Amadora-Sintra

Desta vez não fui surpreendida com nomes como Sheila Susana, Rafael José ou Y. Mateta, mas a experiência não foi, de todo, boa.

Fui com o meu sobrinho até ao Amadora-Sintra para ser feito o despiste da Gripe A. Chegamos às 22:30 e saímos de lá às 3:30. Durante estas cinco horas de espera, muito aconteceu.

Como o meu sobrinho tinha sintoma de gripe, foi-nos dado uma máscara para usarmos numa salinha especial. Esta sala só é diferente porque tem meio muro a separar do resto das pessoas. Provavelmente os vírus foram ensinados a não subir acima daquele murinho, e se o fizerem, não têm autorização a passar para o outro lado. Caso contrário, são multados com uma vacina. Mas tudo bem.


Enquanto o meu sobrinhinho se debatia com umas descomunal carga de sono que teimava em inundá-lo, eu e a minha cunhada aguardávamos que o chamassem. Enquanto isso, as crianças que por ali andavam vomitavam a todo o momento uma aguadilha. Foi o caso de uma menina que não chegou a tempo à casa de banho e vomitou mesmo ao meu lado. Mas nada mais era que aguadilha. Sem cheiro nem nada. Como ela houve outros, e a solução foi colocarem jornais no chão para absorver. Resultado: ao fim de um tempo o chão estava um chavascal, pois a juntar a isto havia o lixo habitual que as pessoas fazem e que custa muito colocar nos caixotes para o efeito. Quando fui passear com o meu sobrinho pelos corredores e olhei à minha volta, lembrei-me de cenas de "Ensaio sobre a cegueira".

Passado alguns momentos entra uma menina de 9 anos, numa marquesa, toda entubada. É accionado o alarme que chama todos os auxiliares disponíveis. Deixaram de chamar crianças, pois todos os esforços de pediatria estavam concentrados na menina, tentando salvar-lhe a vida. Infelizmente, não foi possível. No dia anterior tinham-na mandado para casa para tomar um Brusfen. Naquela noite voltou, gelada, e acabou por falecer.

O ambiente ficou pesado, e o corrupio de familiares era muito. Até a mim me vieram as lágrimas aos olhos quando vi a família passar, em especial o irmão.

Entretanto, sentou-se ao lado do meu sobrinho uma mulher com o filho. O miúdo era um doce e muito bem educado. Já a mãe não se calava. Queixava-se de tudo e de todos, e culpava o filho por não estar a dormir com o marido. Até disse que sentia falta da pinga! Estava igualmente chateada com a comida que serviam no hospital, pois a filha tinha sido operada a um dedo, e por só ter dois canais na televisão, pois, segundo ela, ela queria estar em casa, sossegada, a ver a sua televisão, os seus filmes, e não podia porque tinha que estar ali com o filho. Ela falava directamente para o miúdo, mas este olhava para o nada. Nessa altura, eu e o meu sobrinho estávamos noutras cadeiras, e o meu sobrinho estava deitado no meu colo enquanto eu lhe fazia festas. O menino olhou para nós e pediu à mãe se podia deitar-se no colo dela. Esta deixou.

No fim, o meu sobrinho foi atendido e verificaram que não tem gripe A, mas sim gripe normal. Vai ficar em casa 7 dias, medicado, até que tudo passe.

1 comentário:

Cindy disse...

Porreta... eu adorava ver o E.R., mas ver ao vivo e a cores e passar por isso tudo na vida real, dói...
As melhoras para o teu sobrinho!!
Beijocas grandes